PESSOAS QUE LUTAM POR PORTUGAL FAZER MELHOR

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Heloísa Santos. Pediatra e geneticista, teve sempre a defesa das crianças como prioridade. Fez campanha pela nova lei do aborto, pela procriação assistida e agora pelo provedor da criança
Quer que Portugal crie a figura do provedor da infância "antes de ser obrigado a isso pela Europa"
A cara talvez não lhe seja estranha. Anda cá há muito tempo. 65 anos, mais concretamente. "Sou uma sénior", diz, a rir. "Estou sempre a aproveitar os descontos, os meus filhos até fazem pouco de mim." Se as pequenas atenções com que os cidadãos seniores são presenteados pressupõem o reconhecimento de um percurso, Heloísa Santos bem as mereceu. Porque escolheu uma profissão "para ajudar os outros" e porque nunca se coibiu de levantar a voz por aquilo que lhe parece justo. "Pertenço àquele tipo de pessoas que pensam que devemos mudar o que pudermos enquanto existirmos."
Foi um dos rostos da luta por uma nova lei da interrupção voluntária da gravidez quer em 1997, quando o Parlamento aprovou o alargamento dos prazos nos casos de malformações fetais e violação, quer em 1998 e 2007, quando se votou em referendo a possibilidade de abortar até às 10 semanas por vontade da mulher. Participou num dos dois Prós e Contras, pelo "sim", em Fevereiro de 2007, e fez parte do grupo de médicos especialistas em genética que convenceu Jorge Sampaio a vetar, em 1999, uma lei de procriação assistida proposta pelo PS que "pelas regras impostas impossibilitava completamente o recurso às técnicas" (uma lei menos draconiana só passaria em 2006). Agora, tem outra causa: o provedor da criança."


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